Tem gênio por ai que já disse em algum lugar:
“de tudo ficou um pouco” e dessa pouca memória, lamento dizer que a maior parte
do que fica é o quase nada e se “de ternura ficou um pouco (muito pouco)”, do
caos ficou muito.
Ficou a ternura daqueles tempos de comprar
“chicletes” na padaria com o troco do pão da minha vó, época onde não existiam
doenças, poluição, uma época pré-web, pré-google, pré-i-share, pré-caos, onde
“curtir” significava algo mais do que aquele dedim digital. Ficaram
tardes de sol onde as possibilidades eram infinitas com os “amigos”, num tempo
quando “amigos” eram mais que uma foto entre outras 1000. Tempo em que
corríamos atrás de informação, bandas, novidades (via bebidas ‘’clandestinas’’),
livros, marcas de tênis ou da “peita mais estribada”. Todas as coisas
aconteciam ao seu redor. “O tempo passa” e com ele passa tudo aqui, na terra da
eterna bomba atômica, que nunca explode...
Na era do caos, tudo está se tornando
possível. podemos criar nossos clones virtuais, que terão amigos virtuais mil
vezes mais interessantes que seus amigos. Podemos salvar o planeta clicando em
um mouse. Em tempos de caos, só não vale ‘’virar’’ homossexual, mas até isso parece
que foi por água abaixo. Nesse tempo que será lembrado como “o período Feliciano’’,
aquele que ‘’defende’’ os direitos humanos, e se esquece dos humanos
direitos...
Dizem que “a ignorância é uma benção” e
concordo com isso. Queria ser ignorante o suficiente para “curtir” o rock n’
rio, a Dilma, os Stones, o Inhotim. Queria ser ignorante o suficiente para
acreditar na vida, na família, nos feriados com seus rituais monótonos que te
dão sono e dor de cabeça, nas divindades inventadas dos tempos atuais, nos
pastores ‘’for export’’, no Pedro Bial. A ignorância é uma benção e, como tudo
que é santo, é para poucos e esses poucos são... uns poucos. “A salvação meu irmão” (via capitão
nascimento) é um prato azedo servido em louça chinesa e prataria inglesa.
Os valores mudaram e me parece que se a vida
não fazia muito sentido antes, agora pode estar pior ainda, pois sabemos que as
únicas coisas que terão algum valor são as lembranças, as memórias e um monte
de outras coisas ‘’retardadas’’ que podem ir para o buraco. Há esperanças?
Talvez nos versos de Drummond:
’’ Uma flor nasceu na
rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor’’...
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor’’...
Em
tempos de caos, agora entendo o que as Lamentações de Jeremias (3:21) dizia: ‘’
Quero trazer à memória AQUILO que me dá esperanças... .
Alessandra Dantas
Alessandra Dantas

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