Enquanto seus amigos
preocupavam-se com dinheiro e bens materiais, ele envolvia-se em sonhos,
divagando a respeito da vida e do mundo.
Para
ele o amanhecer não era apenas o sol clareando a vida, mas um jogo de luz,
sombras, sons e magia; os pássaros cantando nos galhos; as árvores guardando um
pouco do orvalho da madrugada; a terra, ainda úmida, deixando as últimas
formigas esconderem-se nela, e o cheiro de flores no ar.
Enquanto
todos gostavam da vida noturna, e dos prazeres que ela propicia, ele cedo
dormia. E acordava mais cedo ainda. À tardinha, corria para ver a luz
despedindo-se do dia, e com ela toda aquela maravilha. Quando chovia, era
motivo de muita alegria. Afinal, não era sempre que a água banhava a grama. Não
era todo dia.
Riqueza?
Para a maioria é uma boa roupa, dinheiro e regalias. Para ele era apenas uma
fruta fresca para degustar, um pão novo e o jornal de manhãzinha.
Falar
de qualquer assunto com ele era covardia. De tudo entendia - pois os anos da
vida lhe deram muita sabedoria. Preferia, mais do que tudo, conversar com os
animais, brincar com as crianças, e passear. Sem companhia.
Os
outros eram admirados pelo que possuíam., ele por sua simplicidade e sabedoria.
Era, por certo, um homem distante da realidade. Mas, indiscutivelmente, bom. E
tão belo que poucos o entendiam. Ele é que sabia viver...
texto adaptado de Gustavo Arruda

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