sábado, 23 de março de 2013

O bem viver



Enquanto seus amigos preocupavam-se com dinheiro e bens materiais, ele envolvia-se em sonhos, divagando a respeito da vida e do mundo.
               
Para ele o amanhecer não era apenas o sol clareando a vida, mas um jogo de luz, sombras, sons e magia; os pássaros cantando nos galhos; as árvores guardando um pouco do orvalho da madrugada; a terra, ainda úmida, deixando as últimas formigas esconderem-se nela, e o cheiro de flores no ar.

Enquanto todos gostavam da vida noturna, e dos prazeres que ela propicia, ele cedo dormia. E acordava mais cedo ainda. À tardinha, corria para ver a luz despedindo-se do dia, e com ela toda aquela maravilha. Quando chovia, era motivo de muita alegria. Afinal, não era sempre que a água banhava a grama. Não era todo dia.

Riqueza? Para a maioria é uma boa roupa, dinheiro e regalias. Para ele era apenas uma fruta fresca para degustar, um pão novo e o jornal de manhãzinha.

Falar de qualquer assunto com ele era covardia. De tudo entendia - pois os anos da vida lhe deram muita sabedoria. Preferia, mais do que tudo, conversar com os animais, brincar com as crianças, e passear. Sem companhia.

Os outros eram admirados pelo que possuíam., ele por sua simplicidade e sabedoria. Era, por certo, um homem distante da realidade. Mas, indiscutivelmente, bom. E tão belo que poucos o entendiam. Ele é que sabia viver...



 texto adaptado de Gustavo Arruda










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