terça-feira, 6 de novembro de 2012

O que realmente tem valido a pena?



Em tempos movidos impetuosamente pela satisfação e pelo reconhecimento, a todo e qualquer custo, há uma aceitação para nos constituirmos como partes de uma engrenagem de metas a serem alcançadas.
Não por menos, vivemos uma época marcada por uma noção de família semelhante a uma maquete, a uma ideia, a um sonho bonito e distante da realidade concreta de todos os dias. Na busca a torto e a direita em prol do sucesso. Pais esquecem de que a maior herança a ser concedida se encontra nos valores inclinados a apontar a importância do próximo na nossa vida, na construção da felicidade, na busca pela convivência harmoniosa e digna entre as pessoas.
Quantas oportunidades descartadas, como acompanhar o filho no futebol; ou um jantar simples e apaixonado; como curtir a natureza, desconectado das parafernálias de uma cultura consumista; ou acompanhar o pôr do sol, o soar das gaivotas, a colisão rítmica das ondas nas rochas e por ai vai.
Muito embora venhamos a incorrer na ilusão de uma suficiência absoluta, de uma jovialidade duradoura (o que diga a ditadura das lipoaspirações, das plásticas e outras ferramentas direcionadas a criar uma tentativa de se esquivar de nossa irreversível condição efêmera), uma pergunta, por mais escondida que possa estar ainda se faz audível: O que realmente vale pena ou tem valido a pena?
De certo, essa pergunta pode incomodar, importunar, mexer com condições consideradas ideais e, acredito, particularmente, ter sido a mola propulsora da frase alcunhada por Salomão, com um gosto de decepção para consigo mesmo, – ‘’tudo é vaidade’’.
Devo dizer, a saga do homem mais afortunado do mundo agradaria a muitos. Agora, o apito final de sua história retrata os mosaicos de um pujante reinado despedaçado por conflitos internos e insatisfações infestadas. O denominado ‘’homem mais sábio do mundo’’ não conseguiu perpetuar a paz, a justiça e o respeito como verdades inquestionáveis a prosseguir com seus descendentes.
Aproveito a oportunidade, então, e faço mais uma pergunta:
O que realmente vale ou tem valido a pena no Reino de Deus?
Quantos trilham anos a fio dentro de uma comunidade cristã e não se fazem essa pergunta. Por isso, as palavras do Apóstolo Paulo são pra lá de convidativas – ‘’examine – se a si mesmo’’. Afinal de contas, quer queiramos ou não, se a trombeta não tocar, um dia não passaremos de fagulhas nas memórias do passado de alguém ou de alguns.
Ora, longe de qualquer fatalismo ou um discurso deprimente com relação a existência humana, valho – me do pontuar de Jesus, alias – ‘’certeiro’’, sobre o que adianta ganhar o mundo e perder a alma.
É bem verdade, todas essas ponderações poderão parecer inúteis e reconheço o quão difícil representa enfrentar uma cultura hedonista e narcisista, do poder monetário como acesso a uma felicidade de aparências.
Não é fácil mesmo!
Mesmo assim, diante da concreta transitoriedade de nossa vida, o que, realmente tem valido a pena?

Alessandra Dantas
(Texto adptado de Robson Santos Sarmento – Revista Ultimato)

Nenhum comentário:

Postar um comentário