sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ovelha perdida

 
 
 
Às vezes, pergunto-me até que ponto os professores realmente compreenderam o porquê de nosso Mestre Maior nos haver deixado a parábola da ovelha perdida. Jesus não falava de pastores, ou de ovelhas, ou de perder-se de um rebanho. Ele falava de Educação.
Ele comparava a função do Mestre à de um pastor, no que ela tem de mais terna, cuidadosa, no trabalho de cuidar das almas, não para indicar-lhes um caminho , mas para ensinar-lhes a não se perderem no caminho escolhido por elas mesmas e a refazer seus possíveis descaminhos.
São muitas as interpretações centradas na imagem da ovelha desgarrada do rebanho, como se a procura de alternativas próprias fosse, em si, altamente reprovável. E é difícil não julgá-la, julgando ao mesmo tempo todos aqueles que, em nossas classificações mentais, pertencem à categoria dos que fugiram à regra.
O que fez, terá sido certo ou errado? 
Não, certamente não eram estas as intenções do Mestre: nem de que nos fizéssemos juízes dos outros, nem de que tirássemos vantagens de nossas fragilidades. Não seria preciso que o Cristo se movimentasse das alturas até nós, para ensinar o que já fazemos tão bem...
A parábola da ovelha perdida encerra uma outra lição preciosíssima. De que um bom pastor não deseja, não pode, nem quer perder nenhuma de suas ovelhas pelo caminho, porque a todas ele ama individualmente e cada qual é insubstituível. Aquela que se perdeu não é especial por perder-se pois, na verdade, todas são especiais a seu modo, e ele sairia em busca de qualquer uma delas que pudesse colocar-se em perigo.
Não consigo deixar de me emocionar com esta mensagem.
Especialmente quanto ela fala da impropriedade dos julgamentos, do amor do mestre pelos alunos e da afeição dedicada individualmente a cada um.
Há professores que vêem cada aluno como apenas mais um, a classe como uma massa onde as características pessoais se confundem. Ele geralmente quer que a classe aprenda do jeito que ele sabe ensinar, e jamais questiona seus métodos.
Outros professores conseguem perceber cada aluno como uma criatura única, com quem desenvolve um vínculo único. Procura adequar seu método às características daquela turma e vê cada aluno como um ser humano, em toda a sua riqueza e complexidade.
Estes professores conseguem exercer uma verdadeira autoridade moral, enquanto que aqueles só encontram a saída do autoritarismo, para serem atendidos.
Como evolução e aprendizagem são processos íntimos agindo na transformação de cada ser, perceber que cada aluno é um ser único, numa jornada única, torna muito mais apropriada e eficiente nossa atuação enquanto educadores.

 texto adaptado - Alessandra Dantas






2 comentários:

  1. Não viva para que a sua presença seja notada,
    mas para que a sua falta seja sentida...


    beatriz 32 c PIP

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  2. "Somos donos de nossos atos,
    mas não donos de nossos sentimentos;
    Somos culpados pelo que fazemos,
    mas não somos culpados pelo que sentimos;
    Podemos prometer atos,
    mas não podemos prometer sentimentos...


    beatriz 32 c PIP

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