Visitando um site chamado ''Bacia das Almas'', um site diga-se de passagem, super interessante, resolvi colar e copiar a narrativa abaixo, espero que o autor do texto não me processe, é por uma boa causa, afinal estamos na era do ''nada se cria, tudo se copia'', com algumas ressalvas é claro.
Só espero que os meus, aqueles que amo, compreendam algumas de minhas atitudes e não as tomem por abominações ou ameaças... como está explicitado no texto de Paulo Brabo.
Mas vale a pena ler o texto :
Quando olho tempo suficiente
Paulo Brabo
Quando olho tempo suficiente para a serpente, a ponto de concluir que ela é uma verdadeira ameaça para mim e meus amigos, a própria serpente me percebe e parte sem qualquer intervalo para o ataque. Ela sabe que assim que noto sua presença não sou mais imune à sua picada: tornei-me sua presa imediata e potencial.
Pressionado inequivocamente pelo conflito desta minha narrativa, tudo que posso fazer é apertar a própria serpente pelo pescoço, na intenção de me proteger, e levantar-me do lugar a fim de levá-la para longe, na intenção de proteger meus amigos.
No momento seguinte, enquanto passo por eles com o bicho enfurecido nas mãos, meus amigos olham-me aterrorizados e esforçam-se para manter-se a uma distância segura de mim.
Não devo supor que estão com medo da ameaça da qual tento protegê-los, porque são inteiramente incapazes de percebê-la. O que os aterroriza é que eu, seu companheiro e seu cúmplice, levantei-me do meu devido lugar e apontei o perigo. Quando escolho que o risco vale abandonar a indiferenciação do grupo, tomo o primeiro passo no sentido de tornar-me um indivíduo – e isso os apavora.
Minha iniciativa, motivada pelo minha preocupação com a integridade do grupo, transformou-me aos olhos deles numa ameaça e numa abominação.
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Quem tem ouvidos para ouvir, olhos para lerem e inteligência para compreender, ouçam, leiam e compreendam...

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