sábado, 9 de novembro de 2013

VIVER COM AUTENTICIDADE




As mentiras mais devastadoras para a nossa autoestima não são tanto as que contamos, mas as que vivemos.
Vivemos uma mentira quando distorcemos a realidade da nossa experiência ou a verdade do nosso ser.
Assim, estou vivendo uma mentira quando finjo um amor que não sinto; quando finjo uma indiferença que não sinto; quando me mostro mais do que sou; quando mostro menos do que sou; quando digo que estou zangada(o), mas na verdade estou com medo; quando finjo estar desamparada(o), mas na verdade, estou manipulando; quando nego e escondo minha excitação com a vida; quando finjo uma cegueira que nega minha consciência; quando finjo um conhecimento que não possuo; quando rio e quero chorar; quando fico muito tempo com pessoas de quem não gosto; quando me apresento com a encarnação de valores que não aprovo e não aceito; quando sou delicada(o) com todo mundo, menos com aqueles que a quem digo amar; quando digo ter crenças sobre as quais não tenho convicção, só para ser aceita; quando finjo modéstia; quando finjo arrogância; quando deixo meu silêncio concordar com convicções das quais não compartilho. Quando digo admirar um certo tipo de pessoa enquanto durmo com outro(a).
Tudo isto exige congruência, o que significa que o meu eu interior tem que estar obviamente, de acordo com o meu eu exterior.
Quando valorizamos mais a ilusão na cabeça dos outros do que o nosso próprio conhecimento da ''verdade'' tornamo-nos um(a) impostor(a).

Alessandra Dantas

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O silencio importa?


 

Nossa vida nos exige muito movimento, muitas palavras, ir, vir, fazer, desfazer, tentar, voltar.  No passar dos dias, raramente paramos para refletir sobre o que é fundamental em nossa vida e quando o fazemos, reaparecem essas velhas verdades escondidas, esquecidas e nos sobrevoa o silêncio.

Silencio que se o usarmos bem teremos relações que se tornarão frutíferas. É bom falar sempre, não calar nada? O falar nos permite chegar a um lugar, a esse espaço que tanto procuramos? O silêncio é uma prudente discrição no uso das palavras. É como dizer: cale quando não se deve falar e fale quando não se deve calar.

O fim da palavra é classificar a linguagem universal. Sem a palavra no lugar de clarear a mensagem, ela entorpece, se perde em sua própria dimensão. Então sobra, está demais.

 A palavra se transforma em um vicio, por isso já dizia o filosofo: ‘’ a ausência da palavra não é a ausência de comunicação. É a ausência da palavra vã, vazia, efêmera.

O silencio é um regulador da palavra. Ele consiste em calar, mas não em nos destruir ou deixar ociosa nossa capacidade de conhecer, mas para que as coisas nos fale diretamente e compreendermos suas palavras mudas.

A grande jogada nesses tempos de correria desenfreada, da velocidade das informações é fazer uso do silencio e deixar que ele nos fale e transforme nossas ideias.

 

Alessandra Dantas

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Educação, vaso de barro, nas mãos do professor



Educação, vaso de barro, nas mãos do professor
 
Assim como a admiração que temos por um mestre ceramista não nasce do fato de ele manipular o barro com desenvoltura, mas sim por dar-lhe forma, não admiramos um sábio, um professor por aquilo que ele aprendeu, mas pelo muito que pode ensinar. A educação deveria consistir em algo assim: uma longa viagem que partisse dos clássicos e às vezes acabasse na lua...
A educação nos transforma em seres civilizados, mas também pode nos escravizar. Por isso, toda leitura dever ser feita com uma dose de critica. Se lemos os clássicos, não é para viver como os grandes pensadores de séculos atrás, mas para viver melhor nos tempos de hoje.
Podem nos ensinar disciplinas como português, latim ou grego, mas a arte de viver é algo que aprendemos  ao longo do caminho. Essa é a única educação que realmente deveria importar-se e não deveria restringir-se apenas  à infância ou à juventude. Quem deixa de aprender esta morto em vida.
Portanto, plagiando a frase de Oscar Wilde a conclusão a que se chega é a seguinte: ‘’A EDUCAÇÃO É ALGO ADMIRÁVEL, MAS É BOM RECORDAR QUE NADA QUE VALHA A PENA SABER PODE SER ENSINADO’’.
Alessandra Dantas

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

PROSTITUIÇÃO MORAL


Prostituição moral
vendendo minha dignidade
para sair desse lixo
a chegada à “liberdade”
se resume a isso.

Sonhos contados em moedas
enquanto estou nessa prisão sem celas
trabalho maquinal, lavagem cerebral,
luta cotidiana para deixar tudo igual.

Para fugir dessa vida
que planejaram para mim
tenho que me prostituir,
engolir meu desprezo e sorrir.

Me esforço para não esquecer quem eu sou
não posso deixar a mesquinhez me sugar
queria não estar onde estou
mas esse é o preço que tenho que pagar.

Medo e consumismo
combustível dessa máquina
que quer me esmagar
culpam o terrorismo
mas é a pressão desse sistema
que não deixa respirar.

Minha vida há de ser mais que uma tarja magnética...

A D

sábado, 14 de setembro de 2013

Ser vagante



A água vai passando pelos meus cabelos. Lavando-os, penteando-os, lhes dando vida. A água vai passando por mim, tocando cada parte do meu corpo e tentando me empurrar para trás. Não possuo a hidrodinâmica necessária para resistir e por isso tento me segurar a uma das rochas do fundo do rio. Fecho os olhos e ouço. Ouço o som da água contornando cada obstáculo para seguir seu caminho, contornando rochas, pessoas, peixes e plantas. A água está verde bem escuro por cima e azul por baixo. Um azul lindo, profundo e, ao mesmo tempo, claro e suave. Os peixes se preparam para dormir virados contra a correnteza. Uma correnteza fraca e, por isso, tão relaxante. E eu continuo lá. Na posição dos peixes, contemplando a dança magnífica da água para seguir seu curso. E esperando. Esperando que a água tome conta de mim e que de alguma forma me torne parte daquilo. Não é algo possível, mas ainda assim há o desejo. 

Um desejo palpável em minha mente de se largar das confusões do mundo para me soltar entre as gotas que percorrem seu caminho ao redor de mim. De me espalhar na correnteza e deixar que me levem. Agora estou parada. Parada em frente às arvores. Olhando o verde das plantas e ouvindo as coisas em volta. Não são como o zumbido singelo e carinhoso da água e sim pássaros, cachoeiras, cigarras, grilos e o vento passando entre as folhas. Cada um reproduzindo seu som único e frequente. O conjunto disso tudo é tão relaxante quanto o da água e me faz pensar, me faz limpar a mente e ouvir. Simplesmente ouvir. E me torno um ser vagante entre sons diferentes que não sei distinguir já que não os vejo e apenas os ouço. Mas mesmo assim ouço com atenção e me deixo modular pela frequência e melodia da manhã. As folhas das árvores estão mais verdes do que nunca. Ontem choveu e a chuva me proporciona tal espetáculo. Até a madeira dos galhos e troncos parece mais viva, mais forte e até mais flexível. É quando as duas imagens se fundem (a do rio e da mata) através do som de uma chuva tímida que cai aos poucos se fazem ouvir ao cair pelo telhado da cabana e se espalhando pelo chão. Consigo ouvir cada gota. Nem sempre consigo distingui-las mas ainda assim as ouço. E fico encantada. Sinto-me viva. 

Alessandra Dantas

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

DEIXANDO PARA DEPOIS


 

 
 
Encantei-me com a palavra ‘’procrastinar’’. É uma palavra que aprendi recentemente que tem um significado forte: deixar as coisas, as realizações para depois, pensando sempre que ainda há tempo. Que forte! Quem não faz isto?
Uma das coisas mais complicadas é tomar uma decisão. Fazer o importante ou o urgente? Na realidade não é tão fácil.
O problema é: como priorizar e por onde começar? Lembro-me que quando era criança, voltava da escola, comia alguma coisa e com as energias carregadas, vinha a grande duvida: brincar ou fazer o dever da escola? Como toda criança, eu queria brincar, mas sabia que deveria fazer o dever, e como sempre ganhava o desejo de brincar, brincava e esquecia a tarefa escolar. Não sabia que estava tecendo desde criança, a mania que os adultos têm de adiar as decisões mais importantes da vida. E assim vamos fazendo esse perigoso jogo de ‘’procrastinar a vida’’.
Como o passar dos anos, me dei conta que a verdadeira alegria da vida esta em aprender a viver em vez de julgar, mas insistimos em dar mais importância ao dever do que ao prazer, e não damos conta que estamos enganando a nos mesmos. Ou como dizem coloquialmente, nos damos mal. E com o pretexto de fazer o que temos que fazer, não fazemos o essencial na vida: VIVER!

Muitas coisas deixamos para depois e calamos. Nada mais equivocado. Imagine que beleza se pudéssemos dizer ao final de nossos dias o que diz uma canção de Frank Sinatra  ‘’I did it my way’’ ,’’ eu fiz isto do meu modo, a minha maneira’’

Bronnie Ware,uma escritora australiana, depois de vários anos de estudos de muitos casos de pacientes terminais, escreveu um livro, ‘’ os cinco principais arrependimentos daqueles que vão morrer’’. O interessante é que não há nenhuma menção ao sexo, a emoções vibrantes como pular um abismo com uma corda de elástico amarrada aos pés, ou de para quedas, ou aos clássicos, escrever um livro, plantar árvores, fazer um filho...

O que Ware descobriu, depois de centenas de entrevistas com os doentes terminais, foi  que os cinco principais lamentos eram:

1.      Oxalá houvesse vivido a minha maneira agradando a mim mesmo e menos aos outros;
 
2.      Oxalá não houvesse trabalhado tão duro, não houvesse perdido a infância de meus filhos, houvesse desfrutado mais de meu esposo ou esposa;

3.      Oxalá houvesse tido o valor de expressar mais meus sentimentos. Muitas vezes, as pessoas renunciam seus sonhos e ideais para agradar aos outros e essa frustração é a origem de muitas enfermidades;

4.      Oxalá houvesse mantido o contato com meus amigos, porque eles são tesouros incalculáveis;
 
5.      Oxalá houvesse tornado-me verdadeiramente feliz.
 
Estes cinco ‘’oxalás’’ mostram como vivemos mau, em velhos padrões e hábitos. Quantas coisas que queremos fazer e deixamos para depois, para quando tivermos tempo ou coragem... para quando não houver tantas ocupações....para quando permitam nossas obrigações....para quando tiver muito dinheiro...

Sempre pensamos que ainda há tempo...
Alessandra Dantas
 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sabe...


 

Sabe, hoje eu precisei  tomar um choque, no sentido figurado da coisa, é lógico, para entender certas coisas...

Precisei entender que a vida passa e eu vou passar junto com ela...

Afinal, eu não sou desta terra, eu ESTOU nela.

Precisei entender que as pessoas vão me amar, mas que muitas também não vão gostar de mim, é a lei natural das coisas, não se pode agradar a gregos e troianos ao mesmo tempo.

Precisei entender que as coisas não vem de graça...se eu quiser vou ter que trabalhar e desejar de todo o coração para que elas aconteçam.

Precisei entender que amigos são e sempre serão um porto seguro, mas quem eu poderei chamar de amigo HOJE?

Precisei aprender que as pessoas têm o direito de se relacionarem... e eu não posso impedir que a pessoa que eu amo se relacione com os demais, pois é assim que ela saberá o meu valor para ela.

Precisei aprender que nada vai acontecer do jeito que eu quero, se eu não fizer algo para mudar o que me incomoda e querer mudar as pessoas é ser burro duas vezes: primeiro, ninguém muda porque eu quero; segundo, antes de mudar os outros, preciso mudar a mim mesma.

E por fim, precisei aprender  que a vida é curta, as pessoas são passageiras e eu preciso dar a todos que cruzam o meu caminho o melhor de mim. Preciso que as pessoas vejam em mim um suspiro de paz e esperança. Preciso mostrar que amigos existem e que a vida não é uma eterna lamúria, que pode se transformar numa terna e  doce canção, conforme a minha vontade!